sábado, 13 de julho de 2013

Livros estrangeiros que valem a pena conferir

    Eu adoro fazer resenhas de livros nacionais, é um imenso prazer para mim mostrar obras da nossa terra, da nossa gente, e poder dizer como são boas, diferentes, nossas - digo isso com um orgulho de uma leitora brasileira que se deleita ao ver nossa cultura transbordar nesses trabalhos.
    Mas hoje vou me distanciar do Brasil para falar sobre obras estrangeiras. Sabe, não gosto de ver como os livros de língua inglesa sempre são os mais privilegiados, embora haja muitas culturas por aí que também esbanjam talento e conteúdo. Olhe a sua estante, caro(a) leitor(a), e conte de onde vem a maioria dos seus livros. 
    Até eu me encaixo nisso: 19 são americanos, 7 ingleses e três australianos sendo que eu só tenho cinquenta e quatro livros (físicos, detalhe), entre esses 11 são brasileiros. Dei-me conta esse ano de que também tinha de dar mais atenção a outras culturas, embora sejam escassas as traduções de outras línguas - enquanto o inglês é universal, como meu pai diz, por isso é sempre mais fácil achar obras de países com esse idioma. Pensando nisso resolvi trazer umas dicas de livros que conheço, embora infelizmente não tenha lido todos. Esses, entretanto, estarão com trechos de resenhas que me fizeram apreciá-los.
O Rei Branco - György Dragomán - Literatura húngara. Editora Intrínseca.

Estar sempre em casa aos domingos: isso é um compromisso para Dzsátá, de 11 anos, um garoto do Leste Europeu. Foi em um domingo que os homens da Polícia do Estado entraram em sua casa e levaram seu pai. Ele acredita que será em um domingo que o pai voltará.Enquanto isso, em sua rotina de aventuras, entretido com violentos jogos de guerra ou brigas nos campos de trigo, com filmes pornôs no reservado do cinema ou com o planejamento de encontros com meninas, Dzsátá começa a descobrir outra realidade – seja por meio da tirania do treinador do time de futebol da escola e dos campeonatos decididos de acordo com interesses do partido; seja devido às trapaças e às dissimulações de trabalhadores e pessoas comuns ou de diplomatas e privilegiados, como seu avô, integrante da elite política.À espreita dessa adolescência rebelde, contudo, sempre cutucando seu coração, está a prolongada ausência do pai. Quando o garoto finalmente descobre a verdade, arrisca-se a perder sua juventude. Para sempre.Vencedor do prestigiado Prêmio Sándor Márai – que aponta os melhores autores da Hungria – com O rei branco, o autor transporta a terrível paisagem mental de Dzsátá com frases contínuas e sem enfeites, e constrói habilmente um universo totalitário, profundo e repulsivo. Engraçado e melancólico, mas escrito de forma inovadora, esse retrato de uma infância atrás da Cortina de Ferro nos apresenta a uma nova e impressionante voz da ficção contemporânea europeia.
Esse livro foi meio confuso pra mim, pelo modo que foi estruturado. Cada capítulo parece ser um conto sobre o mesmo personagem, que a principio não parecia ter ligação com nenhum outro capítulo, à exceção do fato do menino pensar no pai. Mas logo passamos a ficar intrigados e a ler sem perceber, chegando ao final com um gostinho de quero mais. Essa não é o tipo de estória que você esquece assim que fecha o livro. 

Uma vida menos ordinária - Baby Halder - Literatura indiana. Editora Arquipélago.


'Tome, escreva alguma coisa neste bloco. Se quiser, você pode escrever a história da sua vida nele. Tudo que aconteceu desde que você consegue se lembrar e desde que tomou consciência de si mesma', disse a Baby Halder o seu patrão, um professor de antropologia aposentado. O resultado dessa transformação pela escrita é uma narrativa única, retrato de uma vida que tinha tudo para terminar como começou. Baby Halder foi abandonada pela mãe aos quatro anos. Aos 12, foi obrigada pelo pai a se casar com um homem mais velho e violento. Conseguiu escapar do casamento, mas não da pobreza nem do estigma de ser mãe solteira. Como empregada doméstica, até onde ela poderia chegar? Sobreviver era tudo o que interessava, até aquele momento em que teve o primeiro contato com a literatura.

    Não, esse livro não foi escrito em inglês apesar de ser da Índia. Ainda não entendo muito desse país, mas pelo livro percebi que a maioria das personagens falavam hindi ou bengali - o último no qual esse livro foi escrito. Ele foi uma grande surpresa para mim, o ganhei de aniversário e nem sequer tinha lido a sinopse. Olhe a capa e principalmente o título: não gostei, ponto. Então, por causa da minha meta de ler cem livro esse ano o peguei, ainda sem ler a sinopse, e simplesmente li. E não consegui parar, virei o dia para terminar. Doce surpresa.
    É a autobiografia de uma mulher indiana que sofreu muito desde pequena, mas que sempre teve muito talento com as letras e sempre foi ajudada pelos professores que enxergavam nela um futuro, embora as circunstâncias tenham sido tão cruéis. Não pegue esse livro pensando em ler uma história poética sobre algo trágico, ela mesma admite que sua escrita é crua, sem quotes bonitinhos. É apenas a realidade sendo servida num prato frio e amargo. A gente aprende muito sobre a sociedade indiana, fiquei meio revoltada imaginando quantas mulheres sofrem assim... É um bom livro para abrir os olhos sobre o machismo que ainda vigora em alguns lugares.

Por favor, cuide da mamãe - Kyung-sook Shin - Lteratura Coreana (Coréia do Sul, mais especificamente). Editora Intrínseca.



Park So-nyo, 69 anos, mãe de cinco filhos, desapareceu. Ao chegar a Seul para visitá-los, saindo de sua aldeia com o marido, com quem é casada há mais de 50 anos, ela é deixada para trás em meio à multidão em uma plataforma da estação de metrô. Como fez a vida toda, ele simplesmente supôs que a esposa o seguia. Essa é a última vez em que Park é vista. Começa então a procura, liderada pelos filhos e o marido, que se transforma em uma exploração emocional repleta de remorso e marcada pela triste descoberta de uma mulher que ninguém nunca conheceu. Narrado pelas vozes de uma filha, de um filho, do marido e da própria mulher desaparecida, Por favor, cuide da Mamãe é, ao mesmo tempo, um retrato da Coreia do Sul contemporânea e uma história universal sobre família e amor.

Falar sobre mãe é um assunto complicado, e ler sobre isso, mais ainda. Cada pessoa tem a sua própria história com diferenças aqui e ali, mas acredito que todas chegam a um ponto comum quando o assunto é mãe. E é isso que a autora nos mostra. Apesar de apresentar uma realidade cultural muito diferente da que vivenciamos, é impossível não se identificar com a história, e tampouco não se ver representada nela - Gleice CoutoO livro em quesito escrita, não possui nenhuma estética elaborada ou coisa do tipo, assemelhando-se bastante à escrita de uma criança.[...] já que é através desta característica, que a autora ensina grandes lições de vida aos leitores de forma simples e profunda, fazendo a todo o momento refletir sobre a vida, sentimentos, pessoas queridas, etc - Felipe. Um romance maravilhoso que permaneceu em minha mente muito tempo depois de eu ter terminado de ler suas últimas e perturbadoras páginas - Abraham Verghese.

Uma questão pessoal - Oe Kenzaburo (ou Kenzaburo Oe no modo ocidental de se falar) - Literatura japonesa. Editora Companhia das Letras.




Em 1964, o romancista japonês Kenzaburo Oe recebia a notícia de que seu primeiro filho nascera com uma anomalia cerebral. É a mesma situação enfrentada pelo protagonista de Uma questão pessoal , o professor Bird. Aos 27 anos, ele leva uma vida medíocre, bebendo pelos bares de Tóquio e sonhando com aventuras no continente africano. A gravidez da mulher acrescenta angústia ao cotidiano de Bird. A idéia de que será pai e chefe de família faz com que se sinta condenado à vida cotidiana. Para piorar, depois do parto, os pais descobrem que a anomalia cerebral fará o menino ter uma vida vegetativa. Bird não suporta a possibilidade de se ver atrelado para sempre a um filho anormal. Passa, então, a desejar a morte da criança. Aos poucos, porém, ele se dá conta de que a crise era uma oportunidade. Bird deve percorrer um longo caminho de conquista da realidade, enfrentando os desafios de amadurecimento da vida adulta.

Todos deveriam ler por ser um clássico muito bem construído tanto na história quanto no desenvolvimento, e ainda mais na qualidade literária; todavia, talvez ninguém devesse, por ser carregado de angústia e sofrimento, que pode deprimir os corações mais suscetíveis - Flávio Pereira de Oliveira, autor de AEcM12.  É do tipo que enfia um espinho debaixo da unha e vai cutucando, cutucando, e mesmo depois que acaba você ainda fica com a cicatriz incomodando toda vez que vira o tempo. Eu vou demorar pra reler este, mas como é bom! - Naomi Hikawa.

Então, é isso. Espero que tenham curtido tanto quanto eu, embora tenha dado um trabalho fazer uma pesquisa(principalmente do livro japonês, selecionar esse foi complicado!), mas acho que valeu a pena, no fim das contas. Qual desses você mais gostou? Tem alguma dica de livro pra mim? Estou aguardando o seu comentário! XOXOXO

22 comentários:

  1. De todos esses, so conheço "por favor cuida da mamãe" tenho um marcador super foto dele :D
    Outro dia estava contando meus livros, e metade deles são nacionais, a outra metade é feita por livros estrangeiros, não só americanos como livros de autores espanhóis, australianos e de alguns países que nem sei onde fica. O chato de ler livros estrangeiros são os nomes, nunca me acostumo com eles! Estava lendo um livro onde um rapaz chamava Dona (Donatello), estava pensando que era uma mulher ate um personagem falar "o Dona". Aí caiu a ficha e.e

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então você é um exceção por ter metade nacionais, parabéns! Estive olhando no skoob e percebi que, ultimamente, tenho me interessado mais por nacionais, mas me falta money ^^
      Eu sei como é meio complicado os nomes, principalmente quando você não conhece nada da cultura. Nesse indiano eu achava que Baba e Ma eram nomes dos pais da personagem, só lá pro meio que fui perceber que Baba é pai e Ma, mãe. Pra mim, desses o mais difícil foi a literatura húngara, nomes como Dzsátá são muito estranhos! Porém já estou me acostumando com anormalidades, tipo tem um mangá que estou lendo cuja personagem principal se chama Futaba, em outro tem uma Momoka. Todo mundo ri com uma dessa!

      Excluir
  2. "os livros de língua inglesa sempre são os mais privilegiados, embora haja muitas culturas por aí que também esbanjam talento e conteúdo"... Concordo com você... Mas gostei das suas dicas de livros!

    ResponderExcluir
  3. Oi!
    Gostei das dicas de livros. Desses só conheço o "Por favor cuide da mamãe". Mas também só conheço de nome. Não li o livro. rs

    BjO
    http://the-sook.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Oiii linda sou a dona do blog de encomendas thais r. respondendo sua dúvida o pacote dela é o completo =)

    http://thaisr-encomendas.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  5. Eu só conheço "Uma vida menos ordinária" porque tenho uma amiga que vivia falando dele.
    Não li e nem sei se é o tipo de livro que gostaria de ler, mas da sua lista acho que o que mais me interessou foi o "Por favor cuide da mamãe".

    Beijão Samyle!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É, tem algumas histórias que realmente não são o nosso gosto, mas aprendi (estou aprendendo) a ler de tudo agora, isso aumenta a nossa visão de mundo, e é uma das dicas que vi para escritores. Particularmente, esse também não era um livro que eu compraria, mas já que ganhei, li e acabei gostando. Só experimente, aproveita que essa sua amiga tem ele.

      Excluir
  6. Ownn, seu post transobordou amor♥. Ameiii. Uma pena que eu não tenho nenhum desses, mas fiquei com muitaaaaaaaa vontade de ler!
    http://www.momentosassim.com
    Tem sorteio no blog!
    http://www.momentosassim.com/2013/07/sorteio-menina-de-palavra.html

    ResponderExcluir
  7. não conheço nenhum desses, mas o "uma vida menos ordinária" me chamou a atenção. A maioria dos meus livros são estrangeiros, mas ultimamente dei mais atenção aos nacionais, tem uma autora em especial que me cativou bastante a Carina Rissi, ela mostra que a literatura brasileira também vale a pena. Ah, eu gosto muito dos clássicos da literatura li quase todos, e os que mais gostei foi: Moreninha, A senhora, e Dom Casmurro.

    Myllena,
    Minhas Pequenas Verdades

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aaah, já li a Carina, amei Perdida, mas não gostei do mais novo. Gosto muito da literatura brasileira, os meus favoritos são Machado, Chico Buarque e Eliane Brum (ela me fez gostar de reportagens jornalisticas! Toda segunda entro no site da Época por causa dela agora, é uma escritora fantástica e uma pessoa maravilhosa. Indico!).

      Excluir
  8. adorei , adoraria ler o rei branco *-*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eeeh, a maioria só se interessou por "Por favor, cuide da mamãe" ;)

      Excluir
  9. Gostei muito das dicas, principalmente da primeira, pois nunca li nada do gênero, e da penúltima. Gosto muito da cultura japonesa/coreana, vou procurar ler esse com certeza! Acho que devemos ler o maior número de livros dos mais diferentes países. É um jeito de deixar a mente bem aberta, né? É muito legar conhecer a cultura de cada um!

    rascunhosecaprichos.blogspot.com.br
    beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu adoroo conhecer culturas e lugares novos. Tanto é que quero ser poliglota(mas infelizmente ainda estou no cursinho de inglês, fazer o quê, a gente sempre começa com um). Amo a cultura japonesa também, quero aprender japonês só pra isso porém da coreana só conheço duas bandas de ouvir falar. Uma vida menos ordinária foi uma grande surpresa, a sociedade é diferente da nossa e ao mesmo tempo nem tanto.
      Como você disse, abre a nossa mente, temos um outro olhar sobre o mundo; no Rei Branco, por exemplo, tinha uma passagem em que havia chegado bananas no mercado e todo mundo correu para comprar porque era um evento raro, e eu fiquei pensando em como acho bananas em todo lugar por aqui...
      No momento estou querendo ler algo dinamarquês e finlandês. Estou completamente aberta a indicações ;)

      Excluir
  10. Nunca tinha ouvido falar de nenhum, quem sabe depois eu não procure por eles ;) beijos!

    http://smile-andlove.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  11. realmente, a grande maioria dos meu livros são de autores estrangeiros.
    beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mas, pelo o que vejo, as editoras publicam mais obras de fora. Isso complica também.

      Excluir
  12. Samyle :)
    Como vai?

    Gostei das dicas e confesso que não conhecia estas obras :O
    "Por favor, cuide da mamãe " me pareceu interessante :)

    Beijos e cuide-se
    Rimas Do Preto

    ResponderExcluir
  13. Olá
    Não conhecia nenhum desses livros...
    Vou procurar saber mais deles.
    Beijos

    cocacolaecupcake.blogspot.com.br

    ResponderExcluir