Nunca, ao
simplesmente baixar um livro com o único propósito de ser mais um número na
minha lista desse ano, poderia supor o quanto mexeria comigo. Você, se lê-lo,
provavelmente vai me considerar meio... louca. Falo isso por falta de descrição
melhor. O meu lado racional está gritando que estou fazendo um alarde por uma
escrita meia-boca e um enredo de uma originalidade peculiar, mas previsível,
enquanto meu lado emocional me lembra o quanto eu chorei ao me colocar no lugar
daquela criança de cem anos de idade. Irônico, eu sei.
Na verdade,
estou agarrada ao meu travesseiro(sem coragem de tirar minha ursinha de pelúcia
de roupinha rosa – chamada Romã – de dentro da embalagem que a protege do pó)
indagando por que diabos as pessoas insistem tanto em fugir da realidade. Confesso que
de um modo bizarro me vi em Rose Samantha Fitzroy, não porque tenha pais donos
da maior empresa do mundo, capazes de comprar uma máquina e me colocarem lá
dentro durante anos, ou meses dependendo do bom humor deles, para dormir. E sim
porque nunca me permiti viver. Tenho minha própria máquina barata chamada
alienação.
Essas
máquinas, a propósito, são intrinsecamente diferentes. Enquanto uma mantém jovem
eternamente, a outra te tira alguns prazeres pueris, por causa do
amadurecimento precoce, dependendo do caso, ou te transporta para uma dimensão
paralela em que você simplesmente diz “dane-se” e vai viver – particularmente
acho essa bem interessante. Mas por que criamos isso? Por que temos essa
necessidade de fugir de fantasmas interiores que sabemos que não são reais? Por
que não dá pra “encarar”? Nos afogamos no trabalho, livros, exercícios. Coisas
que aparentemente são boas, até mesmo saudáveis que, entretanto, estão nos
destruindo.
Então você
só olha para a janela. Quanto, quanto vale o seu tempo? Amanhã você pode acordar e perceber que seus pais, seus
amigos, a sua familiar tecnologia, o amor da sua vida... tudo o que um dia foi você, simplesmente se esvaiu. Perdeu um
dia, uma semana, um mês de férias, dois dias de aula, por nada. O seu alarme
toca avisando da prova de matemática da semana que vem, do trabalho de física
que você não fez e nada faz sentido.
Viver dói. Simples assim. É muita mais fácil se afundar em alguma coisa e esquecer de si mesmo. Até a
esperança de um milagre corta. Mas dormir por sessenta e dois anos só vai
piorar tudo. Não é isso que quero dizer, afinal? Dê valor ao seu tempo. Permita-se.